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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Dúvidas dos leitores


O uso do pronome CUJO
Muita gente quer saber onde está o dito “cujo”.
Caro leitor, não se assuste nem fique imaginando “coisas”. A verdade é que recebi dezenas de mensagens querendo “notícias” do pronome relativo CUJO.
Tenho um colega que costuma dizer que o pronome CUJO é um ser “semimorto”. Segundo ele, só existe na língua escrita. Todos entendem o sentido de uma frase em que apareça o pronomeCUJO, mas ninguém se lembra dele na hora de falar.
Isso se comprova na fala do brasileiro. Observe a si mesmo e depois me diga se não é verdade. Você falaria, por exemplo, no seu dia a dia, uma frase do tipo “Estava falando com o vizinhoCUJO filho foi contratado pelo Flamengo”?
Acredito que todos entenderiam a frase, mas que dificilmente seria usada na fala coloquial. Na verdade, a presença do pronome CUJO caracteriza o uso formal da língua portuguesa. Praticamente só é usado na linguagem escrita.
O curioso, entretanto, é que todos ou quase todos entenderiam a frase, ou seja, que “eu estava falando com o vizinho e que o Flamengo contratou o filho desse vizinho”.
Vamos, então, responder concretamente às perguntas do leitores:
1o) Só podemos usar o pronome CUJO quando existe uma relação de “posse” entre o antecedente e o substantivo subsequente. O “vizinho cujo filho” significa “o filho do vizinho (=o filho dele, o seu filho)”.
2o) Jamais usamos artigo definido entre o pronome CUJO e o substantivo subsequente. Falar “vizinho cujo o filho” está errado. O pronome CUJO sempre concorda em gênero e número com o subsequente: “vizinho CUJA FILHA, CUJOS FILHOS, CUJAS FILHAS“.
3o) O pronome relativo CUJO deve vir antecedido de preposição, sempre que a regência dos termos da 2ª oração exigir:
“Este é o vizinho DE cujo filho ninguém gosta.”
(O verbo GOSTAR é transitivo indireto = GOSTAR DE alguma coisa – “Ninguém gosta DO filho do vizinho”)
“Este é o vizinho EM cujos filhos todos confiam.”
(CONFIAR EM = “Todos confiam NOS filhos do vizinho”)
“Este é o vizinho A cujos filhos fizemos mil elogios.”
(=”Fizemos mil elogios AOS filhos do vizinho”)
“Este é o prefeito COM cujas ideias não concordamos.”
(=”Não concordamos COM as ideias do prefeito”)
“Este é o prefeito CONTRA cujas ideias sempre lutamos.”
(=”Sempre lutamos CONTRA as ideias do prefeito”)
Você está achando tudo muito estranho? Que o CUJO é muito feio?
Tudo bem, eu respeito a sua opinião. Mas não esqueça: nem tudo que é feio ou estranho está errado.

INTERVIR ou INTERVIER?
Não devemos confundir o INFINITIVO dos verbos (=INTERVIR) com o FUTURO DO SUBJUNTIVO (=INTERVIER).
Use o seguinte “macete”:
Quando o verbo vier antecedido de preposições (=A, DE, PARA…), use o INFINITIVO:
“Ele foi obrigado A INTERVIR no caso.”
“Ele foi proibido DE INTERVIR no caso.”
“Ele tomou esta decisão PARA INTERVIR no caso.”
Quando o verbo vier antecedido das conjunções (=SE ou QUANDO) ou do pronome QUEM, use oFUTURO DO SUBJUNTIVO:
SE o presidente INTERVIER no caso, poderá haver protestos.”
QUANDO o presidente INTERVIER no caso, o problema será
solucionado.”
QUEM não INTERVIER no caso será duramente criticado.”
Leitor aponta um erro jornalístico:
“O partido tem uma histórica dissidência de 20 votos, que poderá se ampliar, sobretudo na bancada de Minas Gerais, se o governador não intervir nas discussões”.
O leitor tem razão. O certo é “…SE o governador não INTERVIER nas discussões”.

Quando eu VIR ou VER?
Leitor quer saber qual é a forma correta: “Quando eu VIR ou VER uma amiga, falarei com ela.”
A presença da conjunção subordinativa temporal QUANDO indica que devemos usar o verbo VERno FUTURO DO SUBJUNTIVO. E aqui está o problema: VER é INFINITIVO. O FUTURO do SUBJUNTIVO do verbo VER é:
Quando eu VIR, tu VIRES, ele VIR, nós VIRMOS, vós VIRDES e eles VIREM.
Portanto, o certo é: “Quando eu VIR uma amiga, falarei com ela.”
Observe outros exemplos:
SE vocês VIREM a verdade, ficarão surpresos.”
“Devolverei o documento, QUANDO nos VIRMOS novamente.”

Dedicação A ou À você?
Leitor quer saber a minha opinião a respeito da crase na frase de uma antiga propaganda: “Casas XYZ. Dedicação à você e respeito ao Brasil…”
Antes de “você”, jamais haverá crase, pois não há artigo definido.
Eu tenho respeito “a você”, e as Casas XYZ prometem “dedicação a você”.

Dúvidas dos leitores


AMERICANO ou NORTE-AMERICANO?
Pelo visto, há muitos leitores indignados.
Todos contestam a minha preferência por americano. Afirmei aqui: “A seleção americana de basquete é a dos Estados Unidos. Uma seleção norte-americana deveria incluir jogadores do Canadá e do México”.
Você sabe por que quem nasce em Pernambuco é pernambucano, e não “pernambuquense”. Por que quem nasce no Ceará é cearense, e não “cearano”?
O que eu sei é que existem várias sufixos (-ano, -ense, -eiro, -ista, -ino…) para designar o lugar de nascimento.
Paulista é quem nasce no estado de São Paulo, e paulistano é quem nasce na cidade de São Paulo.
Seria convenção? Foi o uso que consagrou?
A República Federativa do Brasil já foi “Estados Unidos do Brasil”. Quem aqui nasce sempre foi brasileiro. Nunca fomos “estadunidenses”.
Quem nasce nos Estados Unidos da América (USA=United State of America) pode ser estadunidense ou americano ou norte-americano. Isso é o que dizem vários dicionários.
O adjetivo estadunidense na prática não funciona. As duas formas mais usadas são americano e norte-americano. Entre essas duas, prefiro americano.
Para mim, “norte-americano corresponde ao nosso sul-americano”. Sei muito bem que americano também se refere à América inteira. Entretanto, creio que não haveria confusão:
a) Se falarmos em “senado americano”, só pode ser o dos Estados Unidos. Ninguém ficaria imaginando um senado da América;
b) Se falarmos em “continente americano”, tenho a certeza de que todos entenderiam a América, e não os Estados Unidos.
No entanto, quando nos referimos a um campeonato, devemos tomar certos cuidados:
a) Campeonato sul-americano (=só América do Sul);
b) Campeonato norte-americano (=só América do Norte);
c) Campeonato americano (=só Estados Unidos);
d) Campeonato pan-americano (=as três Américas).
Eu entendo perfeitamente os argumentos dos meus leitores e agradeço a contribuição.
É importante, porém, que fique bem claro: não estou afirmando que estadunidense ou norte-americano estejam errados. É uma questão de preferência, pois no meio jornalístico é comum haver uma espécie de padronização. Não quero impor coisa alguma, apenas opinar.

ESCREVE-SE ou ESCREVEM-SE cartas?
Leitor tem razão ao afirmar que esse tipo de erro de concordância é frequente e que, num contexto popular, seria aceitável. Na verdade, ele critica a inadequação: o fato de uma professora ter cometido tal erro.
Estamos chamando de erro porque está em desacordo com o que diz a maioria dos nossos gramáticos. Quando a partícula “se” é apassivadora, o verbo deve concordar com o sujeito passivo: “Escrevem-se cartas” (=Cartas são escritas); “Alugam-se apartamentos” (=Apartamentos são alugados); “Consertam-se sapatos e bolsas” (=Sapatos e bolsas são consertados)…
Em textos formais e em concursos, é essa a concordância que devemos seguir.

Hoje É ou SÃO 26 de junho?
Leitores querem saber qual é o certo.
Um deles pergunta: “No caso a palavra hoje não é o sujeito da oração? O verbo não deveria concordar com o sujeito no singular: Hoje é 26 de junho? E na pergunta? O correto é que dia é hoje? Ou que dia são hoje?”
Na pergunta, não há discussão. Sempre devemos usar o verbo ser no singular: “Que dia é hoje?”
Quanto à resposta, há polêmica. Alguns autores defendem a tese de que o verbo ser deva concordar com a expressão numérica. Da mesma forma que “são 16h”, deveríamos usar “Hoje são 26 de junho”. A verdade, entretanto, é que poucos falam desse modo. A maioria diz que “Hoje é 26 de junho”. O uso do verbo no singular está consagrado e muitos autores já registram tal concordância. A explicação para a concordância no singular seria a elipse da palavra DIA: “Hoje é (dia) 26 de junho”.
Se você quer evitar a polêmica, basta dizer que “Hoje é dia 26 de junho”. Aí…não há discussão.

O saldo do acidente FOI ou FORAM duas vítimas?
Leitor quer saber se o verbo não deveria estar no singular para concordar com o sujeito: “O saldo do acidente foi…”
O verbo SER sempre merece cuidados especiais, pois, em algumas situações, pode concordar com o predicativo do sujeito. No exemplo acima, o sujeito (=o saldo do acidente) está no singular, e o predicativo (=duas vítimas) está no plural. Entre o singular e o plural, o verbo ser concorda no plural:
Estes dados são parte de um relatório confidencial.”
“O resultado da pesquisa são números assustadores.”
Portanto, a concordância da frase: “O saldo do acidente foram duas vítimas” está correta.
O que mais me incomoda nessa frase é a mania de tratar vítimas de acidente como “saldo”. Na minha opinião, é um modismo de imenso mau gosto.

Dúvidas dos leitores


O uso do ponto e vírgula
O ponto e vírgula indica uma pausa maior que a vírgula.
Vejamos as situações em que o seu emprego é mais frequente:
1a) para separar os membros de um período longo, especialmente se um deles já estiver subdividido por vírgula:
“Na linguagem escrita é o leitor; na fala, o ouvinte.”
“Nas sociedades anônimas ou limitadas existem problemas: nestas, porque a incidência de impostos é maior; naquelas, porque as responsabilidades são gerais.”
2a) para separar orações coordenadas adversativas (=porém, contudo, entretanto) e conclusivas (=portanto, logo, por conseguinte):
“Ele trabalha muito; não foi, porém, promovido.” (indica que a primeira pausa é maior, pois separa duas orações)
“Os empregados iriam todos; não havia necessidade, por conseguinte, de ficar alguém no pátio.”
3a) para separar os itens de uma explicação:
“A introdução dos computadores pode acarretar duas consequências: uma, de natureza econômica, é a redução de custos; a outra, de implicações sociais, é a demissão de funcionários.”
4a) para separar os itens de uma enumeração:
“Deveremos tratar, nesta reunião, dos seguintes assuntos:
a)    cursos a serem oferecidos, no próximo ano, a nossos empregados;
b)    objetivos a serem atingidos;
c)    metodologia de ensino e recursos audiovisuais;
d)    verba necessária.

Se dirigir, não beba; se beber, não dirija.
Em frente ao Hospital Pinel, no Rio de Janeiro, havia um painel luminoso da CET-Rio. Lá estava a seguinte mensagem:
“Se dirigir; não beba
se beber; não dirija”
Certamente o hospital não tem culpa alguma. Louco ou bêbado estava quem escreveu a tal frase. Não pela mensagem em si, mas pela pontuação da frase. Provavelmente alguém disse para o autor: “Olha, tem um ponto e vírgula aí.” E o “letrado”, por garantia, tascou logo dois.
Ora, onde encontramos o ponto e vírgula bastaria a vírgula, pois se trata de uma oração subordinada adverbial condicional deslocada: “Se dirigir, não beba”. O ponto e vírgula seria perfeito entre as duas ideias, apontando, assim, uma pausa maior que a vírgula:
“Se dirigir, não beba; se beber, não dirija.”
É essa uma das utilidades do ponto e vírgula: indicar uma pausa maior que a vírgula e não tão forte quanto o ponto-final.
Portanto, o autor da frase acaba de perder três pontos na sua carteira de habilitação, por uma infração média contra a gramática.
Depois que grandes escritores já confessaram que não têm segurança para usar o ponto e vírgula, não serei eu o louco que vai considerar o mau uso do ponto e vírgula uma infração gravíssima, a menos que isso prejudique os aposentados…

Mais ponto e vírgula
Alguns leitores insistem em perguntar a respeito do “ponto e vírgula da Previdência”.
Afinal, está certo ou errado?
Quanto ao uso do ponto e vírgula, a frase está correta. O problema é a interpretação.
Primeiro, vamos lembrar a tal frase que está no artigo 201 da reforma da Previdência:
“…é assegurada a aposentadoria no regime geral de Previdência Social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: 35 anos de contribuição, se homem e 30 anos, se mulher; 65 anos de idade, se homem e 60 anos, se mulher…”
Segundo alguns juristas, o ponto e vírgula após a palavra mulher teria a função de um “e”, tornando as exigências cumulativas. Para outros, o ponto e vírgula teria uma ideia de exclusão, ou seja, anos de contribuição ou anos de idade. As exigências não seriam cumulativas.
A interpretação de que as exigências são cumulativas (=ideia aditiva) é a mais provável. Numa enumeração, geralmente o ponto e vírgula tem valor aditivo (=e). Entretanto, o ponto e vírgula permite outras interpretações. Na frase “Se dirigir, não beba; se beber, não dirija”, o ponto e vírgula tem valor de “ou”.
Dizer que o ponto e vírgula tem sempre o valor aditivo(=que é sempre igual a “e”) é no mínimo uma afirmativa perigosa.
Na verdade, faltou clareza ao texto, o que é inconcebível na redação de uma lei.
Se a intenção do autor do texto fosse realmente deixar clara a ideia de exigências não cumulativas, deveria ter substituído o ponto e vírgula pela conjunção alternativa “ou”: “…obedecida uma das seguintes condições: 35 anos de contribuição, se homem e 30 anos, se mulher ou 65 anos de idade, se homem e 60 anos, se mulher…”
Se, ao contrário, a ideia fosse de exigências cumulativas, o autor, em nome da clareza, poderia usar o “amado” ponto e vírgula desde que fizesse uma nova redação: “…obedecidas as seguintes condições: 35 anos de contribuição e 65 anos de idade, se homem; 30 anos de contribuição e 60 anos de idade, se mulher…”

Dúvidas dos leitores


Qual é o plural de aparelho de ar-condicionado?
O plural é APARELHOS de ar-condicionado.
Se você queria o plural de AR-CONDICIONADO, seria “ares-condicionados”.
Achou feio, estranho? Eu também. Prefira, então, CONDICIONADORES DE AR.

Deve-se OU devem-se?
Crítica do leitor: “Você diz que a forma correta é DEVEM-SE EVITAR as formas rebuscadas, afirmando que FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto da forma passiva e portanto o sujeito da forma ativa. Acontece que FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto do verbo EVITAR e não do verbo DEVER. A forma ativa correspondente seria EVITAR AS FORMAS REBUSCADAS É DEVIDO, por mais pedante que seja essa expressão. Parece-me que é exatamente o mesmo caso de DEVE-SE ASSISTIR A TODOS OS JOGOS.”
Meu caro leitor, está havendo uma confusão muito grande.
1o) FORMAS REBUSCADAS é o objeto direto da voz ATIVA (=deve evitar as formas rebuscadas) e sujeito da VOZ PASSIVA (=devem-se evitar as formas rebuscadas);
2o) A partícula SE é apassivadora. “Devem-se evitar as formas rebuscadas” (=voz passiva sintética) corresponde a “As formas rebuscadas devem ser evitadas” (=voz passiva analítica). O termo “as formas rebuscadas” é o sujeito das duas frases.
3o) “Devem evitar” e “deve assistir” são locuções verbais.
4o) A diferença está no verbo principal: EVITAR é transitivo direto e ASSISTIR é transitivo indireto.
5o) Só podemos fazer voz passiva se houver objeto direto na voz ativa para transformar-se no sujeito da voz passiva: “Ele deve evitar as formas rebuscadas (OD)” > “As formas rebuscadas (SUJEITO) devem ser evitadas” = “Devem-se evitar as formas rebuscadas (SUJEITO)”. O verbo deve concordar no PLURAL porque o sujeito está no plural.
6o) Em “Deve-se assistir (TI) a todos os jogos (OI)” não há objeto direto para virar o sujeito da voz passiva. Nesse caso, a partícula SE é indeterminadora do sujeito. Consequentemente o verbo deve concordar no SINGULAR.

CO-HABITAR ou COHABITAR ou COABITAR?
Segundo o novo acordo ortográfico, não usaremos mais hífen após o prefixo CO. Assim sendo, deveremos escrever sempre “junto”, sem hífen: copiloto, cotangente, cosseno, cooperar, colaborar, coirmão, cofundador, corresponsável, coprodução.
A resposta correta, portanto, é COABITAR. A perda do H se deve ao fato de só haver o H mudo no início das palavras ou com hífen: coabitante, coerdeiro, reaver, desumano, subumano ou sub-humano, mal-humorado, super-homem…

EMINENTE ou IMINENTE?
PRESCREVER ou PROSCREVER?
Leitor quer saber:
a)    “O perigo era tão grande que já era EMINENTE ou IMINENTE”?
b)    “O prazo de validade já PROSCREVEU ou PRESCREVEU”?
O correto é:
a)    “O perigo era tão grande que já era IMINENTE”
b)    “O prazo de validade já PRESCREVEU”
“O perigo era…IMINENTE.” (=que ameaça cair sobre alguém ou
alguma coisa; que está para acontecer);
“O prazo…PRESCREVEU.” (=ficou sem efeito por ter decorrido o
prazo legal; perdeu a validade).
Resumindo:
a)    IMINENTE é o que está para ocorrer imediatamente, em breve;
EMINENTE é importante; pessoa que ocupa cargo ou função elevada;
b)    PRESCREVER é receitar ou perder a validade, expirar o prazo;
PROSCREVER é banir, expulsar ou proibir.

Há crase ou não?
Leitor quer saber qual é a forma correta:
a)    “Em resposta À  ou  A reclamação acima citada”?
b)    “De acordo com o diretor, o descumprimento das diretrizes
estabelecidas será considerado transgressão disciplinar sujeita À  ou  A  advertência escrita, suspensão e, finalmente, desligamento da empresa”?
Respostas:
a) “Em resposta à reclamação acima citada.” (=”Em resposta AO pedido acima citado”);
b) “…sujeita a advertência escrita, suspensão e…” (=”…sujeita A elogio escrito, suspensão…”
A diferença é a presença do artigo para definir “a reclamação acima citada” na frase (a). Na frase (b), não há crase porque não há artigo antes de advertência (palavra tomada no sentido genérico, indeterminado, não específico).


(tornar). Essa colocação do pronome átono após o verbo auxiliar é raríssima no português do Brasil. A maioria dos brasileiros diria “Corinthians pode se tornar…” (sem hífen = próclise do verbo principal).

Eu prefiro a ênclise do infinitivo: “Corinthians pode tornar-se campeão no domingo”.

Dúvidas dos leitores


Dúvidas semânticas
A palavra é sempre um assunto apaixonante. Algumas vezes somos traídos por nós mesmos. Imaginamos que conhecemos o significado de uma palavra, e de repente a surpresa: lá está o velho dicionário para nos dar mais uma lição.
A coluna de hoje é feita com a contribuição dos nossos leitores.
1ª) Leitor quer saber: “Uma decisão ARBITRADA é necessariamente ARBITRÁRIA?”
Segundo a maioria dos nossos dicionários, deveríamos fazer a seguinte distinção:
a)    “Uma decisão ARBITRADA” é aquela que foi julgada por um árbitro. ARBITRAR é decidir na qualidade de árbitro; sentenciar como árbitro. ÁRBITRO é o juiz nomeado pelas partes para decidir as suas questões.
b)    “Uma decisão ARBITRÁRIA” é resultante de arbítrio pessoal, ou sem fundamento em lei ou em regras.
Portanto, uma decisão ARBITRADA não é necessariamente ARBITRÁRIA.
2ª) Outra leitora apresenta sua dúvida: “Hoje não leio nada que contenha o termo LENDÁRIO, e sim LEGENDÁRIO. Sei que lenda em inglês é legend, mas por acaso estou equivocada ou nós temos uma palavra apropriada para o termo aportuguesado?”
Segundo nossos dicionários, LENDÁRIO e LEGENDÁRIO podem ser usados como sinônimos. Está registrado no dicionário Michaelis: “LEGENDÁRIO 1. Que se refere a legenda. 2. Que é da natureza das lendas; lendário.”
LENDÁRIO é derivado de LENDA (narrativa em que fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela invenção poética);
LEGENDÁRIO é relativo a LEGENDA (inscrição, dístico, letreiro, vida dos santos, lenda).
3ª) Leitor quer saber: “a diferença entre ESTÓRIA (=fantasia) e HISTÓRIA (real) ainda está valendo?”
O problema é que a palavra HISTÓRIA pode ser usada tanto para as narrativas de fatos (=realidade) quanto para as lendas, fábulas, narrativas de ficção (=fantasia). ESTÓRIA é sempre ficção.
Não podemos é afirmar que a palavra ESTÓRIA não existe, pois está devidamente registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em muitos dicionários: Cândido de Figueiredo, Caldas Aulete, Aurélio, Michaelis…
Nós podemos, portanto, fazer a velha distinção HISTÓRIA (=real) e ESTÓRIA (=ficção) ou usar a palavra HISTÓRIA para os dois casos.
4ª) Comentário do leitor: “Não existe HILÁRIO como adjetivo de ‘algo engraçado’, como insistem em escrever. O dicionário registra HILARIANTE.”
O nosso querido leitor deve ter sido traído da mesma forma como eu já fui muitas vezes. Consultar um único dicionário é sempre perigoso. O dicionário Caldas Aulete só registra HILARIANTE, entretanto a palavra HILÁRIO, usada como adjetivo (=que provoca o riso), aparece em outros dicionários (Michaelis, Larousse, Ruth Rocha…) e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
Eu também prefiro o adjetivo HILARIANTE, mas não posso afirmar que HILÁRIO não existe.
A palavra é um assunto riquíssimo que merece ser tratado com carinho e atenção.

ENTRE SI ou ENTRE ELES?
a)    Usamos ENTRE SI, sempre que o sujeito pratica e recebe a ação verbal: “Os políticos discutiam entre si”. Aqui, o sujeito (=os políticos) pratica e recebe a ação verbal.
b)    Usamos ENTRE ELES, quando o sujeito é um e o complemento é outro: “Nada existe entre eles”. Nesse caso, o sujeito é “NADA” e o complemento é “ENTRE ELES”.
Vejamos mais exemplos:
Os jogadores brigavam ENTRE SI mesmos.”
Eles repartiram o prêmio ENTRE SI.”
O prêmio foi repartido ENTRE ELES.”
O segredo ficou ENTRE ELES mesmos.”

DESEMPOEIAR ou DESPOEIRAR?
Leitor quer saber: “Na área de controle ambiental, vejo muito ‘SISTEMAS DE DESPOEIRAMENTO’. Prefiro ‘SISTEMAS DE DESEMPOEIRAMENTO’. O verbo é EMPOEIRAR. O contrário não seria DESEMPOEIRAR?“
O nosso leitor tem razão em parte. A maioria dos nossos dicionários só registra os verbos EMPOEIRAR e DESEMPOEIRAR. Logo, a forma DESEMPOEIRAMENTO é a mais recomendável.
Entretanto, é importante saber que o neologismo DESPOEIRAMENTO e o verbo DESPOEIRAR já estão devidamente registrados no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras.
Portanto, você pode preferir a forma DESEMPOEIRAMENTO, mas não deve afirmar que DESPOEIRAMENTO não existe ou que seu uso esteja errado.


co� � # 6 ^ �� os observar o exemplo que um leitor nosso encontrou no livro Memorial do Convento do grande escritor português José Saramago: “…são eles quem está construindo a obra que lhe vou mostrar…”

Nesse caso, embora o antecedente esteja no plural, o autor faz o verbo concordar com o pronome QUEM: “…eles quem ESTÁ construindo…”
Corretíssimo.

Pode-se tornar OU pode se tornar?
Leitor nos escreve: “Na versão eletrônica do Estadão, lia-se a seguinte frase ‘Corinthians pode-se tornar campeão domingo’. Não sei se se trata de um erro de impressão ou, pior ainda, de gramática, mas parece-me que a frase é incorreta.”
A frase pode perecer estranha, mas não está errada. Trata-se de uma ênclise do verbo auxiliar (=pode-se tornar). Essa colocação do pronome átono após o verbo auxiliar é raríssima no português do Brasil. A maioria dos brasileiros diria “Corinthians pode se tornar…” (sem hífen = próclise do verbo principal).
Eu prefiro a ênclise do infinitivo: “Corinthians pode tornar-se campeão no domingo”.